25 de maio de 2013  

Unidades de conservação


ISA cria estágio em restauração florestal, em Canarana (MT)
[20/02/2010 11:14]


A atividade é voltada a jovens interessados em restaurar áreas naturais degradadas e em trabalhar pela conservação da natureza, formando, assim, profissionais qualificados.


O programa criado pelo ISA (Instituto Socioambiental), no âmbito da Campanha Y Ikatu Xingu, em parceria com a prefeitura municipal de Canarana e com o apoio financeiro de José Ricardo Rezek, proprietário da Agropecuária Rica, reúne cinco jovens vindos de instituições matogrossenses e uma paranaense. César Augusto Pletsch, de 17 anos, Yurick Leonardo Neoberger, de 18, e Meurimar Alex Correia, de 19, são alunos da Escola Municipal Família Agrícola de Querência (Emfaque); Natalie Dunck, de 23 anos, é estudante de Agronomia na Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e Júnior Micolino da Veiga, de 22 anos, estuda Gestão Ambiental na Universidade Norte do Paraná (Unopar).

Eles trabalham no viveiro municipal de Canarana, onde cuidam de mudas de espécies nativas da região e participam de plantios em áreas degradadas. O trabalho é coordenado pelo biólogo Eduardo Malta, com apoio dos técnicos Nicola Martorano da Costa e Luciano Langmantel Eichholz, todos do ISA. O viveiro é gerenciado pela prefeitura da cidade, por meio da Secretaria de Agricultura, na figura da secretária Eliane Felten, e coordenado pelos viveiristas Ivan Loch e Rosa Loch e pela bióloga Maristela da Rosa, em parceria com o ISA. O estágio tem duração de cinco meses e a seleção foi aberta a toda a comunidade, destinada a estudantes universitários de ciências biológicas, estudantes de cursos técnicos agrícolas e técnicos agrícolas.

Meurimar Correia, Yurick Neoberger, Natalie Dunck, Junior Micolino da Veiga e César Augusto Pletsch: estagiários em recuperação florestal

A iniciativa é única na região das nascentes do Rio Xingu e se viabilizou pelo apoio de José Ricardo Rezek, que colabora com uma bolsa de estudos mensal para cada estagiário. Eduardo Malta explica que há uma forte demanda por técnicos qualificados para a restauração florestal na região, que é uma área de transição entre Cerrado e Amazônia. “A idéia desse estágio está vinculada a uma análise sobre as condições de desenvolvimento regional de projetos de restauração florestal dos passivos ambientais das propriedades rurais. Nessa etapa, é fundamental formar técnicos qualificados com experiência comprovada em restauração no mercado local e regional, para que as próprias fazendas e escritórios de consultoria agropecuária/florestal possam contratar seus serviços e avançar nas iniciativas de restauro”.

Desde outubro de 2009, essa turma está aprendendo na prática o que deve ser feito para preservar o meio ambiente e para garantir a qualidade da água na região. Yurick, que mora no município de Água Boa, distante 90 quilômetros de Canarana, já entendeu a necessidade de manter a integridade da terra para que ela continue produtiva. "Quando uma pessoa desmata toda a sua área, as nascentes de água começam a minguar e desaparecem. Sem água é impossível produzir". De acordo com Júnior, a maioria das pessoas ainda não sabe da importância de prazo.

Além de conhecer as técnicas de restauro, os jovens têm a oportunidade de aprender mais sobre a natureza e as plantas originárias da região. Eles falam com propriedade sobre as mais de 200 espécies de plantas e de sementes que são armazenadas no viveiro, por meio da Rede de Sementes do Xingu.

Boas perspectivas

Os novos conhecimentos e a visão da dimensão do campo de trabalho para o restauro florestal está fazendo com que os estagiários comecem a considerar uma nova direção na carreira. “Pretendo estudar Agronomia e me dedicar a trabalhos de restauração”, conta Meurimar. “Antes a ocupação da terra era feita sem critérios, era tudo desmatado. Agora quero ajudar para mudar tudo isso que foi feito”, diz César. A diretora da Emfaque, Alda Nelci Wentz, ressalta a importância da parceria. “A escola tem a proposta de trabalhar com agroecologia. Acho que os meninos estão tendo a oportunidade de aprofundar o que eles aprendem durante as aulas”. Alda diz ainda que a escola incentiva os estudantes a seguirem carreira em áreas relacionadas à gestão ambiental, pois a demanda por esses profissionais tende a crescer. “Pretendemos intensificar essa parceria para que mais alunos possam participar das atividades”.

A estagiária Natalie acredita que a nova geração deveria ter acesso a palestras e a aulas especiais para conhecer tudo o que aprendem nos estágios. Yurick defende a criação de palestras e de visitas monitoradas a áreas degradadas e depois, a áreas recuperadas, para que os jovens desenvolvam uma consciência ecológica. "Multas para quem desmata sempre existiram, mas elas não resolvem o problema. As pessoas precisam conhecer para proteger".

 

ISA, Fernanda Bellei.