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| 20 de junho de 2013 |
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Índios

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Indígenas dão mais um voto de confiança à Norte Energia e libertam funcionários
[30/07/2012 18:02]
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Depois de três dias de detenção de funcionários da Norte Energia na aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, indígenas conseguem novas negociações, libertam engenheiros e estabelecem novos prazos para início do cumprimento das condicionantes ligadas a Belo Monte. Durante a reunião, Ministério Público Federal reforça demanda indígena e recomenda à Funai e ao Ibama garantia de navegabilidade do Rio Xingu.
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Na última semana, três funcionários da Norte Energia ficaram detidos na aldeia Muratu, na Terra Indígena Paquiçamba, para viabilizar um novo acordo entre os índios afetados por Belo Monte e a empresa, responsável pela construção do empreendimento. A decisão veio após uma reunião no dia 23/07, onde o mecanismo de transposição de embarcações na Volta Grande do Xingu foi apresentado aos indígenas. A falta de respostas concretas sobre o funcionamento do futuro mecanismo , aliada à pressa da empresa em que fosse aprovado pelos índios motivou a detenção dos engenheiros por três dias na aldeia... Os líderes indígenas exigiram a marcação de um novo encontro para rediscutir o mecanismo de transposição de embarcações e os acordos firmados na última mobilização indígena que paralisou o canteiro de obras do sítio Pimental por 21 dias (saiba mais).
Na sexta-feira (27), indígenas das etnias Arara e Juruna conseguiram a nova reunião com representantes da Norte Energia, Funai, Ibama, Ministério do Planejamento, da Secretaria Geral da Presidência da República e do Ministério Público Federal em troca da liberação dos funcionários. Acordo feito, a reunião durou o dia inteiro na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Altamira.
A pauta apresentada pelas lideranças indígenas trazia as mesmas demandas já apresentadas à empresa no início de julho, como: consulta adequada sobre o mecanismo de transposição de embarcações; conclusão do sistema de abastecimento de água nas aldeias; garantias de que o rio não será definitivamente barrado até que o sistema de transposição esteja pronto e em funcionamento; resolução das questões fundiárias indígenas; avaliação dos danos ambientais à Volta Grande do Xingu; início imediato do cumprimento do Plano Básico Ambiental - Componente Indígena (PBA-CI); criação do Comitê Gestor indígena para acompanhamento das obras; continuidade do Plano Emergencial enquanto não houver efetiva implementação dos programas do PBA (veja abaixo quadro com a transcrição da ata da reunião divulgada pelas lideranças presentes).
Entre os pontos requeridos, a Norte Energia não aceitou negociar o pagamento de multa, caso os prazos estabelecidos não sejam cumpridos.
Garantia de navegabilidade
Durante a reunião, o Ministério Público Federal (MPF) entregou recomendação ao Ibama e à Funai para que os órgãos tomem providências urgentes para garantir a navegabilidade de pequenas embarcações na área onde está sendo construída a hidrelétrica de Belo Monte. Entre as providências, uma adequada participação das populações interessadas no processo de aprovação do mecanismo, algo que não ocorreu até momento.
Ibama e Funai devem apresentar avaliações sobre o sistema de transposição, solução que a Norte Energia está obrigada a apresentar há mais de um ano. O MPF quer ainda que o Ibama dimensione as alterações que irão ocorrer na forma de navegação e divulgue-as de maneira clara e compreensível para a população em geral e, em especial, para as comunidades indígenas.
“Que o Ibama avalie, dimensione e especifique de maneira clara, compreensível para a população em geral e, em especial, para as comunidades indígenas, as alterações na forma de navegação, os impactos quanto à segurança, tempo gasto de deslocamento, em comparação com a situação anterior à intervenção decorrente do empreendimento, bem como indique se haverá necessidade de adaptação nas embarcações atualmente em uso pela comunidade, além da capacitação dos membros quanto ao uso do mecanismo”, descreve o texto do MPF.
À Funai o MPF recomenda que a avaliação sobre o mecanismo de transposição seja feita somente após a análise do Ibama e da Agência Nacional de Águas (ANA). A recomendação também ressalta a necessidade de apresentar de forma didática os resultados de avaliações preliminares realizadas pelo Ibama e pela própria Funai sobre a efetividade do mecanismo de transposição antes de solicitar uma manifestação expressa por parte das comunidades afetadas (leia a íntegra da recomendação).
MEMÓRIA DA REUNIÃO
No dia 27 de julho de 2012, estiveram reunidos na UFPA (Universidade Federal do Pará), em Altamira/PA, as lideranças indígenas das Terras Indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande, Ministério Público Federal, Funai, Ibama, Ministério do Planejamento e Secretaria Geral da Presidência da República. A reunião teve o objetivo de discutir as demandas apresentadas à empresa Norte Energia SA. A reunião teve início com a apresentação de todos os participantes e em sequência foi apresentada a pauta anexa. Os pontos foram discutidos um a um conforme encaminhamentos abaixo. Em relação ao pleito de multa, a Norte Energia se manifestou em negativa geral à fixação de multas.
1. MECANISMO DE TRANSPOSIÇÃO: Consulta do mecanismo de transposição concomitante a atitude concreta, e efetiva da NESA no sentido do cumprimento das condicionantes, especialmente as ora reivindicadas:
1.1 lntercâmbio: visita ao sistema de transposição em situação real (podem ir duas pessoas por aldeia);
1.2 Reuniões de esclarecimento nas aldeias (quantas forem necessárias);
1.3 Garantia de que o mecanismo apresentado não trará risco às embarcações;
1.3.1 Qualquer dano às embarcações no trajeto da vazão reduzido deve ser de responsabilidade da empresa responsável pelo empreendimento;
1.3.2 Deve ser feito um seguro das embarcações pela empresa (obrigatório, anual e durante todo o período de funcionamento do empreendimento;
1.4 Capacitação e garantia, de ‘participação no programa de monitoramento, do microclima, qualidade da água do rio e poços e da dinâmica das águas subterrâneas; garantia de segurança das embarcações, das pessoas e cargas em todo o percurso das aldeias a Altamira e de Altamira para as aldeias;
1.5. Garantia de que não haverá congestionamento na transposição e, que o sistema funcione 24 horas por dia;
1.6. Apresentação do sistema de transposição dos peixes;
1.7 Esclarecimentos em linguagem acessível sobre os impactos à ictiofauna, principalmente dos peixes ornamentais;
1.8. Apresentação da outorga do sistema de transposição pela ANA- Agência Nacional de Águas.
Em relação a tais demandas, foram dados os seguintes encaminhamentos:
1.1 A Norte irá tentar realizar o Intercâmbio com a participação de dez indígenas;
1.2. .Haverá mais reuniões para esclarecimento. Contudo, a Norte Energia afirmou que não pode assegurar a realização das reuniões nas aldeias, enquanto não for garantida a segurança. Os indígenas afirmaram que não farão reuniões na cidade, e que as reuniões tem que ser nas aldeias; e que ‘a segurança’ nos seus territórios é garantida por eles. O MPF se manifestou pela realização das reuniões nas aldeias.
Em relação aos pontos 1.3, 1.5 e 1.6, a Norte Energia concordou com todas as questões. Em relação aos pontos 1.4, 1.7 e. 1:8, a Norte Energia destacou que estes não estão relacionados ao mecanismo de transposição, mas concordou com o atendimento das demandas, pois já estão previstos no PBA.
1.9. A Norte Energia explicou que o procedimento está em curso junto à ANA, e que a manifestação da ANA será encaminhada ao IBAMA
2. CONTINUIDADE DAS OBRAS DA ENSECADElRA: Que as obras da ensecadeira só tenham ‘continuidade após a aprovação do sistema de transposição e de: atitude concreta e indiscutível da NESA no sentido do cumprimento das condicionantes e do efetivo cumprimento das reivindicações ora apresentadas.
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A Norte Energia se comprometeu no sentido de que o fechamento do rio não acontecerá antes de ser garantida a navegabilidade e aprovado o mecanismo de transposição.
3. SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA: terminar o sistema de água nas cinco aldeias das Terras Indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu;
Prazo de conclusão: 25 dias a contar da data de hoje (27.07)
Multa: 10 mil reais por dia, por, aldeia, pelo atraso no cumprimento da obrigação, a serem destinados cada uma das aldeias
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A Norte Energia afirmou que as obras nas aldeias Miratu, Paquiçamba e Terrã Wangã estarão concluídas até 31.08.2012, e que nas aldeias Furo Seco e Aldeia Nova até 15.09.2012. A empresa também afirmou que apresentará cronograma detalhado das obras à FUNAI até 01.08.2012. A FUNAI irá repassar o cronograma ao MPF e às comunidades indígenas.
4. RESOLUÇÃO DAS QUESTÕES FUNDIÁRIAS
4.1 ampliação da TI Paquiçamba.
Envolvido: FUNAI
Prazo para publicação do relatório (fase 1): 60 dias a contar da pata de hoje.
Prazo para início da definição dos limites de acesso ao reservatório (fase 2): 10 dias a contar da publicação do relatório.
4.2 Extrusão da TI Arara da Volta Grande do Xingu
Envolvido: FUNAI
Prazo para inicio do processo de extrusão: 1o de agosto de 2012
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A FUNAI concorda com os prazos, ressaltando que o 4.2. teve início na data de hoje.
5. AVALIAÇÃO DOS DANOS AMBIENTAIS (para definição de perdas e danos das aldeias das terras Indígenas Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu).
5.1 Apresentação de equipe técnica e de plano de trabalho para a Funai e para as aldeias envolvidas;
5.2 Consulta aos indígenas sobre as mudanças percebidas, como redução da vazão do Rio (metros cúbicos de água perdida)
Envolvido: Norte Energia
Prazo para apresentação da equipe e do plano de trabalho: .60 dias a contar da data de hoje.
Prazo para apresentação final da análise: a ser estipulado de acordo com cada mudança‘percebida e apresentada para análise
Multa: 10 mil por dia e por aldeia
5.3. Diagnostico da oferta de peixe consumida e comercializada (ornamental e para subsistência) nas condições normais do Rio Xingu comparada às condições após o início das obras do empreendimento.
Envolvido: Norte Energia
Prazo para conclusão da análise: 120 dias contar da data de hoje
Multa: 10 mil reais por dia e por aldeia.
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: Os estudos previstos neste ‘item ‘serão conduzidos no âmbito do PBA e acompanhados pelo Comitê da Vazão Reduzida, formado pelas TIs Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu.
6. PBA: que as ações de infraestrutura já aprovadas no PBA tenham inicio imediato.
Envolvido: Norte Energia
Prazo: 15 dias a contar da data de hoje
Multa: 10 mil reais por dia e por aldeia
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: Os indígenas explicaram que tais obras referem-se a estruturas de moradia, saúde, e educação, e não apenas a estradas e, poços. A Norte Energia irá apresentar em até 60 dias o cronograma detalhado para atendimento do pleito, mas nada impede que as obras comecem antes deste prazo, e será dada prioridade para as obras TIs Paquiçamba e Arara Volta Grande. A FUNAI destacou que já se manifestou em relação ao início destas obras e priorização destas TIs.
7. COMITÊ DE GESTÃO INDÍGENA: criação de um Comitê Gestor especifico das TIs Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu. Realização de ações referentes aos programas de compensação da AHE Belo Monte, com recursos para logística da reunião. E participação da Funai com apoio metodológico.
Envolvido: Norte Energia
Prazo: 15 dias a contar da data de hoje
Multa: 10/mil reais por dia e por aldeia
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A FUNAI concordou com o pleito, e que o PBA será discutido também no âmbito do Comitê da Vazão Reduzida, já que este é formado apenas pelas TIs Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu. Ressaltou que isso não influi na formação do Comitê do PBA. Até o dia 03/08/2012 as comunidades indígenas deverão indicar seus representantes para formação do Comitê.
8. ESTRADA: construção de estrada britada de acesso da TIs Paquiçamba e Arara da volta Grande do Xingu a Altamira.
Envolvido: Norte Energia
Prazo para o término da obra: 90 dias a contar da data de hoje
Multa: 50 mil por dia por aldeia
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A Norte Energia esclareceu que as estradas não serão britadas e o material a ser utilizado é laterita. Em relação à estrada da TI Paquiçamba, nesta semana foi feito o levantamento e definição do traçado, com o acordo da liderança; concordou com o prazo de 90 dias para a conclusão das obras, sendo que as obras no trecho fora da TI será iniciado no dia 28.07.2012. A Norte Energia irá encaminhar o traçado da obra à FUNAI, para conhecimento. Caso haja alguma observação, a FUNAI se manifestará, sem prejuízo ao cronograma de 90 dias.
Em relação à estrada da TI Arara da Volta Grande, será iniciado o levantamento de traçado, nos dois lados da TI, levando-se em consideração a proposta já encaminhada pela FUNAI. Esse levantamento será realizado em conjunto com as comunidades, a partir do dia 28.07.2012 e posteriormente encaminhado para conhecimento da FUNAI. Definido o traçado, será encaminhado um cronograma detalhado das obras.
9) CONTINUIDADE DO PLANO EMERGENCIAL: enquanto não houver efetiva implementação dos programas do PBA
Em relação a tal demanda, foi dado o seguinte encaminhamento: A Norte Energia reafirmou que o Plano Emergencial acabará em setembro, conforme previsto no Termo de Compromisso. Até o final do mês de agosto será feita uma avaliação do plano nas aldeias, para que seja definido um plano de transição, até que as medidas do PBA sejam efetivadas. A FUNAI afirmou que a avaliação será feita com as comunidades. | |
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ISA,
Christiane Peres.
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