O destaque é a reeleição, já assegurada no Acre, do governador Jorge Viana e da senadora Marina Silva, ambos do PT. Para a segunda vaga ao Senado em disputa no Estado, foi eleito Geraldinho Mesquita, do PSB, que também integra a coligação do PT. A terceira cadeira do Acre no Senado, que não esteve agora em disputa, continuará sendo ocupada por Tião Viana, irmão do governador reeleito. Estima-se que a coligação vitoriosa elegerá entre 4 e 5 deputados federais: Perpétua Almeida, do PCdoB, é a mais votada para a Câmara seguida por Nilson Mourão, Zico, Monteiro e Henrique Afonso.
O PT também vai disputar o segundo turno das eleições para governador no Pará e no Amapá. Além disso, elegeu outras três senadoras na região, nos estados do Pará, Rondônia e Mato Grosso: Ana Julia, Fátima Cleide e Serys. Destaca-se, ainda, a vitória para o Senado do ex-governador do Amapá, João Alberto Capiberibe, do PSB, importante referência na luta pelo desenvolvimento sustentável na região. Sua esposa, Janete Capiberibe, também do PSB, é a mais votada para deputado federal no Estado.
No Amapá, o PT elegeu outros dois deputados federais, Nogueira e Hélio Esteves, um no Mato Grosso, Carlos Abicalil, e quatro no Pará, Paulo Rocha, Zé Geraldo, Babá e Beto da Fetagri, além de Socorro Gomes, do PCdoB, que deve se reeleger. No Amazonas, Artur Virgílio, do PSDB, passará a ocupar a cadeira até aqui ocupada no Senado por Bernardo Cabral, do PFL. A deputada federal Vanessa Grazziotin, do PCdoB-AM, reelegeu-se com 200 mil votos. O ex-Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, do PFL do Maranhão, também se reelegeu com mais de 100 mil votos. Hamilton Casara, ex-presidente do Ibama, disputa pelo PSDB, com chances, uma das cadeiras de Rondônia na Câmara. Airto Faleiro, ex-dirigente da Contag, elegeu-se deputado estadual pelo PT-PA. Os candidatos indígenas, que se apresentaram em Roraima e no Acre, não tiveram sucesso. Roraima releegeu o senador Romero Jucá, do PSDB e elegeu Augusto Botelho, do PDT, que substituirá Marluce Pinto, do PMDB.
Os governadores do Amazonas, Acre, Mato Grosso e Tocantins já se elegeram no primeiro turno. Talvez o principal retrocesso tenha ficado por conta da eleição de Blairo Maggi, PPS-MT. Um dos maiores plantadores de soja do mundo, ele poderá colocar em risco o licenciamento ambiental rural. O MT foi pioneiro na adoção desse tipo de licenciamento e o governo federal também adotou essa política disseminando-a para outros estados. No Maranhão, Pará, Amapá, Roraima e Rondônia, a decisão ficará para o segundo turno. A disputa pelo governo do Pará será a mais importante para o destino das forças progressistas na Amazônia.
As bancadas amazônicas continuarão tendo maiorias conservadoras em quase todos os estados, mas o crescimento das esquerdas, em geral mais atuantes, as contrabalançará como nunca, reforçando as condições de sustentabilidade política para os projetos de desenvolvimento sustentável na região.
ISA, 07/10/02