Enquanto o Executivo e o Legislativo discutem a liberação do plantio e comercialização da soja transgênica, a monocultura da soja, em geral, se expande a passos largos, sobre a Amazônia e o Cerrado repetindo um modelo de desenvolvimento obsoleto e predatório. Caso emblemático da crise socioambiental que esse cenário anuncia é a pressão sofrida pelo Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, por conta da expansão do cultivo do grão nas áreas que circundam seu perímetro. Nelas estão localizadas as nascentes dos formadores do Rio Xingu, que atravessa o parque e é a base da sobrevivência das comunidades indígenas locais.

Alarmada, a Associação Terra Indígena Xingu (Atix) realizou sua quarta expedição de fiscalização, que teve por objetivo avaliar a expansão da soja na chamada região do entorno, estabelecer um diálogo com proprietários e administradores das fazendas vizinhas ao parque e levar a eles as preocupações dos índios quanto aos impactos associados ao avanço da soja.

Além de representantes da Atix, como Vanité Kalapalo, Tamaluí Mehinako, Winti Suyá, a expedição teve a participação do ISA, que enviou Rosely Sanchez, do Programa Xingu, Mônica Shimabukuro, do Laboratório de Geoprocessamento e o repórter Ricardo Barretto, da área de Comunicação, cuja missão era escrever uma reportagem sobre o tema.

A bordo de uma Toyota, eles saíram de Canarana (MT) onde fica a sede da Atix, e percorreram 1 800 quilômetros, em asfalto e terral. Primeiro rumaram para o leste do Parque em direção à Querência. Depois, retornaram a Canarana e seguiram para Gaúcha do Norte, ao sul do parque. Durante 15 dias, a equipe visitou fazendas, empresas, prefeituras, assentamentos e uma aldeia indígena, fazendo entrevistas e levantando dados.

O resultado desse trabalho em campo, mais uma extensa pesquisa sobre a região e seu povoamento, a chegada da soja, das multinacionais, os
impactos que a cultura vem causando ao meio ambiente em geral, entrevistas com pesquisadores e cientistas, mais as histórias relatadas pelos índios que vivem no Parque do Xingu, estão relatadas nas páginas que se seguem.

ISA, Outubro de 2003.