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Embora a preocupação ambiental faça parte do discurso das empresas da região nenhuma delas faz exigências quanto a cuidados ambientais para a liberação do crédito ao produtor. São examinadas apenas as garantias financeiras. Tampouco são impostos parâmetros ambientais para se fechar negócio no momento da compra da safra. O único procedimento é a classificação de entrada determinada pelo Ministério da Agricultura.

A Bunge informou que acompanha os padrões de produção por meio de três visitas ao produtor, que acontecem entre o plantio e a colheita, tendo como preocupação central a qualidade da lavoura e as técnicas e tecnologias empregadas. O gerente Vericimo Pucheta diz que os técnicos da empresa fazem alertas sobre atitudes consideradas irregulares. "Um exemplo é quando há erosão ou correnteza de água dentro da lavoura. Aí tem de fazer um aterramento ou uma curva de nível para reverter o processo." Mas não faz qualquer relação entre os problemas que cita e a falta de mata ciliar. "Isso aí já é com o Ibama ou a Fema. Nós não fazemos essa restrição de mata de rio. Não temos a autonomia nem a autoridade para isso. A gente acompanha, mas é o Ibama e a Fema que têm que restringir e proibir", afirma.

A ação ambiental acaba voltada para garantir a saúde da lavoura e não para reduzir os impactos ambientais de técnicas de produção inadequadas. O caso é semelhante quanto ao uso de agrotóxicos. A empresa exige respeito à legislação do Mato Grosso sobre o tipo de produto que pode ser usado na região, mas não orienta quanto aos cuidados de aplicação dos insumos químicos. (veja em Impactos Ambientais).

Em relação ao desmatamento de reserva legal, bastante comum na região, a informação é de que a Bunge exige o averbamento da terra com imagem de satélite para liberar o crédito. Atende, assim, as exigências da Fundação de Meio Ambiente do Mato Grosso - Fema, que solicita os mapas das propriedades rurais para monitorar os desmatamentos e conceder licenciamento ambiental. Mas não existe um procedimento por parte da Bunge para verificar in loco o respeito às áreas de reserva legal, no período que antecede o plantio.

Já a Cargill e a Caramuru informaram que a preocupação ambiental está associada a cuidados com os sistemas de produção das fábricas que controlam e a programas de educação ambiental. Entretanto, não possuem qualquer tipo de programa para os produtores e nem vinculam as operações comerciais com a soja a critérios de sustentabilidade ambiental.

Vale mencionar que a Caramuru dispõe do único programa no Brasil de rastreamento do grão de soja, cujo objetivo é evitar a comercialização pela empresa de alimentos geneticamente modificados. Outro projeto classificado como de "preocupação ambiental" pela Caramuru é o cultivo de girassol, com assessoria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), para criar sementes mais adaptadas ao Cerrado. Para a empresa, o plantio do girassol na entressafra é encarado como uma iniciativa ecologicamente benéfica, pois estimula a rotação de cultivos e a exploração de outros perfis de nutrientes do solo pela lavoura.