23 de setembro de 2017  

Brasil


ISA lança publicação GUARAPIRANGA 2005 – Como e por que São Paulo está perdendo este manancial
[13/03/2006 17:33]


Publicação, que será lançada em 21 de março – véspera do Dia Mundial da Água – dimensiona os impactos da urbanização, desmatamento e poluição para a produção de água de um dos principais mananciais de São Paulo. E alerta que, sem proteção e recuperação, a fonte que abastece 3.7 milhões de pessoas pode secar.



Quase quatro milhões de moradores da Região Metropolitana de São Paulo bebem água de uma fonte que está se esgotando. A represa da Guarapiranga, que completa em 2006 seu primeiro centenário, é um dos principais mananciais da maior metrópole brasileira. E o mais ameaçado. A ocupação urbana e atividades humanas - como desmatamento e mineração - que proliferam no seu entorno, somadas ao aumento constante da poluição e do assoreamento da represa e dos rios que compõem a Bacia Hidrográfica da Guarapiranga, podem inviabilizar definitivamente a capacidade do manancial de produzir água. Como a Região Metropolitana de São Paulo dispõe de poucas fontes com qualidade e quantidade adequadas para o abastecimento público, a proteção e recuperação das condições ambientais da Guarapiranga é fundamental para o futuro da cidade de São Paulo.

Este é o principal alerta da publicação GUARAPIRANGA 2005 – Como e por que São Paulo está perdendo este manancial, que o Instituto Socioambiental lança no próximo dia 21 de março, véspera do Dia Mundial da Água. O relatório é resultado do Diagnóstico Socioambiental Participativo da Bacia Hidrográfica da Guarapiranga, estudo levado a cabo pelo ISA entre o começo de 2004 e o fim de 2005. Apresenta e analisa dados de uso e ocupação do solo, desmatamento, expansão urbana, diversidade biológica e qualidade da água, comparando situações encontradas entre 1989 e 2003 na bacia hidrográfica. Oferece, assim, um conjunto atualizado de informações sobre a bacia hidrográfica e suas dinâmicas, como subsídio para o planejamento e execução de políticas públicas adequadas a nova realidade local.

Uma represa cada vez menor – e mais suja

O estudo mostra, por exemplo, que 42% da bacia da Guarapiranga sofre algum tipo de intervenção humana, como a abertura de pastagens, lavouras ou minerações. São estas intervenções que, muitas vezes, dão origem aos núcleos habitacionais que se adensam em locais proibidos ou perigosos, como encostas ou perto de corpos d' água, e que já ocupam 17% da área da bacia. A situação não poupa nem as áreas de preservação inseridas na bacia: cerca de 37% das Áreas de Proteção Permanente (APPs) estão invadidas ou ocupadas. A vegetação nativa, por sua vez, fundamental para produção de água com qualidade, foi reduzida a pouco mais de um terço da área total da bacia. A diminuição da mata, a intensa ocupação humana e a superexploração para abastecimento estão contribuindo para a redução da represa: em 30 anos, a Guarapiranga encolheu de tamanho em 20%.

Cerca de 800 mil pessoas vivem na área da Bacia Hidrográfica da Guarapiranga. Entre 1991 e 2000, a população aumentou em 37,8% (são 210 mil novos habitantes em 10 anos). Apenas a metade dessa população (53.9%) tem rede de esgoto instalada em suas residências. Porém, a maioria do esgoto coletado por estas redes é despejada nos rios e na represa, ao invés de ser transportada para tratamento. Os esgotos domésticos e a poluição difusa gerada na bacia, proveniente das atividades humanas e dos resíduos urbanos e rurais, são a origem da poluição presente na represa, que cada vez mais compromete a qualidade da água.

Este quadro poderá ser agravado com a construção do Trecho Sul do Rodoanel. Os 57 quilômetros da rodovia serão integralmente pavimentados em áreas de proteção aos mananciais da região sul da Grande São Paulo. Os impactos da obra – como o assoreamento de nascentes e o desmatamento – poderão ser potencializados pela péssima situação já existente na região. Para evitar essa situação, a publicação recomenda a criação de um conselho gestor para acompanhar de forma rigorosa o cumprimento das medidas de compensação e mitigação ambientais do empreendimento, entre outras ações.

A publicação oferece ainda uma perspectiva de recuperação da Guarapiranga ao sugerir a implementação de uma política de produção de água baseada da proteção efetiva dos mananciais, sustentada em investimentos constantes dos governos, criação de Unidades de Conservação e recuperação de áreas degradadas. E recomenda que essa política seja não mais resumida em ações ocasionais e intermitentes, mas parte de uma estratégia consequente de planejamento urbano para a Região Metropolitana de São Paulo.

Linguagem simples e distribuição gratuita

O relatório, contudo, não se destina apenas à especialistas e técnicos em recursos hídricos. Escrita em linguagem simples, a publicação tem o objetivo de ser compreendida pelo público em geral. Deste modo, visa disseminar conceitos e informações que expliquem e valorizem a questão da água que abastece a maior cidade da América Latina. Neste sentido, cópias do relatório serão disponibilizadas gratuitamente aos interessados, em versões digitais, pelo site www.socioambiental.org. A versão impressa será distribuída no evento de lançamento.

A publicação do GUARAPIRANGA 2005 – Como e por que São Paulo está perdendo este manancial é parte de uma série de ações que o Instituto Socioambiental planeja realizar em 2006. Seu lançamento, em 21 de março, é aberto ao público e abre uma agenda de eventos que tem desdobramentos em maio, com a realização do Seminário Guarapiranga, e em junho, com um evento de comemoração pelos centésimo aniversário da represa. A produção do Diagnóstico Socioambiental Participativo da Bacia Hidrográfica da Guarapiranga, que deu origem a GUARAPIRANGA 2005 – Como e por que São Paulo está perdendo este manancial, contou com o apoio do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro) e de diversas organizações governamentais e não-governamentais. Este lançamento, em 21 de março, conta com o apoio da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo.

Faça aqui o download da publicação completa (20,3 Mb).
Outras alternativas para download:
Publicação sem mapas (4,7 Mb)
Mapas da publicação (5,8 Mb)

 

ISA, Instituto Socioambiental.