10 de dezembro de 2018  

Índios


Ashaninka pedem providências contra invasores de suas terras
[30/07/1998 16:05]


Caçadores, pescadores e madeireiros desconsideram posse exclusiva dos índios.


Os índios Ashaninka do Rio Amônea, habitantes da área Kampa do Rio Amônea localizada no extremo oeste do Acre, fronteira com o Peru, encaminharam denúncia ao presidente da Funai, Sulivan Silvestre, exigindo providências contra as constantes invasões protagonizadas por caçadores, pescadores e madeireiros.

De acordo com informações contida em uma carta assinada pelo índio Moisés Piãko, presidente da Associação Ashaninka do Rio Amônea, os intrusos se valem da falta de vigilância nos rios Arara e Amônea para subtrair os recursos naturais indígenas e comercializá-los em cidades da região. O líder Ashaninka afirma que somente a presença indígena próximos dos rios mais visados não tem sido suficiente para impedir as invasões.

A denúncia encaminhada pelos índios dá nomes aos invasores, pessoas, segundo o documento, bem conhecidas na região e que renitentemente desconsideram sua posse exclusiva sobre a terra indígena, já demarcada e homologada desde 1992. "Desde 1993, quando mudamos nossa aldeia para perto do limite norte, na beira do rio Amônea, temos conseguido diminuir as antes frequentes invasões de caçadores", informa a carta.

Entretanto, um ex-posseiro chamado Eduardo Gomes e um madeireiro, conhecido por "Tofo" (Antônio Vale) atravessam a área insistentemente a pretexto de explorar recursos das terras Ashaninka no Peru. "Para conseguir a concordância dos Ashaninka peruanos, que não conhecem as leis de seu país, eles oferecem munição e outros materiais de pequeno valor", informa Moisés Piãko.

Como para escoar a madeira derrubada (mogno e cedro) no outro lado da fronteira, os empregados e barcos do madeireiro cruzam a terra indígena, algumas hostilidades entre ambos têm ocorrido. Num dos casos, o Ashaninka conhecido como Benke (a quem Milton Nascimento dedicou uma canção em seu álbum Txai) e seu cunhado tomaram fardos de sal da indesejável comitiva, mandando-a para fora da área indígena. Em represália, Eduardo Gomes ameaçou a família de Benke e lhe tomou alguns porcos alegando ser o pagamento pelo sal.

Preocupados com os possíveis desdobramentos dessas desavenças, Piãko pediu ao presidente da Funai providências para melhorar a sinalização e a comunicação entre as aldeias. "Nós estamos tendo dificuldades para impedir que nossa comunidade reaja às provocações do Eduardo Gomes e aos saques em nossa área, o que poderá resultar em mortes que não desejamos", prenuncia o líder Ashaninka.

ISA, 30/07/1998.