Bacia do Rio Xingu em números

  • ocupa área de 51 milhões de hectares
  • abriga 48 municípios nos estados de Mato Grosso e Pará
  • abriga 21 Terras Indígenas
  • 10 Unidades de Conservação
  • 24 povos indígenas
  • abriga espécies de Floresta Amazônica e Cerrado

A Bacia do Rio Xingu é referência quando se fala de diversidade biológica e cultural brasileira. Ao longo de seus 51,1 milhões de hectares, nos estados do Pará e Mato Grosso, ela abriga 24 povos indígenas que falam mais de 20 línguas e detêm conhecimentos milenares sobre a biodiversidade regional, além de comunidades ribeirinhas tradicionais e imigrantes vindos de diversas regiões do país. Muitos dos seus ambientes e paisagens são reconhecidos como hot spot da biodiversidade amazônica.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a Bacia do Xingu tem aproximadamente 400.000 habitantes e é um dos maiores corredores de áreas protegidas do mundo. As 21 Terras Indígenas e 10 Unidades de Conservação contíguas formam um corredor de sociobiodiversidade de 28,8 milhões de hectares que correspondem a 56,3% da sua extensão total.

Criado pelo ISA em 1995, o Programa Xingu abrange um conjunto de ações e articulações de parcerias que visam à proteção e sustentabilidade das comunidades que vivem na Bacia do Rio Xingu e o apoio ao desenvolvimento socioambiental regional. As ações são realizadas prioritariamente no Parque Indígena do Xingu, na Terra Indígena Panará, na região das cabeceiras do Rio Xingu (veja texto abaixo) (no Estado de Mato Grosso) e na região da Terra do Meio (veja texto abaixo) (no Estado do Pará).

Principais linhas de ação

  • Promover o fortalecimento cultural de comunidades indígenas e tradicionais
  • Apoiar o protagonismo das associações indígenas e ribeirinhas
  • Apoiar comunidades tradicionais no manejo dos recursos naturais
  • Estimular a prática da agricultura familiar
  • Promover a geração de renda sustentável
  • Apoiar a adequação socioambiental da produção agropecuária
  • Promover a proteção dos recursos hídricos
  • Valorização e manutenção dos estoques de carbono florestal da bacia

O Rio Xingu

Além de abrigar uma extensa gama de espécies aquáticas, o Rio Xingu se estende por uma área conhecida por sua biodiversidade única. Os principais rios formadores do Xingu nascem em áreas de bioma Cerrado e se juntam no Bioma Amazônico, formando o Xingu. Desde sua formação até a desembocadura no Amazonas, o Xingu corre inteiramente dentro do Bioma Amazônico.

Parque Indígena do Xingu e Terra Indígena Panará

O Programa Xingu tem uma equipe que trabalha diretamente com os índios Panará e com os povos do Parque Indígena do Xingu. As principais ações são divididas em quatro frentes: proteção e fiscalização das terras indígenas, educação, manejo de recursos naturais, fortalecimento de associações. Os trabalhos são realizados em parceria com comunidades e associações, como a Associação Terra Indígena Xingu (Atix), e visam apoiar o protagonismo político dos povos indígenas e a interlocução com o entorno.

O Parque Indígena do Xingu (PIX) ocupa uma área de 2,8 milhões de hectares e um perímetro de 920 quilômetros, ao norte do Estado de Mato Grosso. Está localizado em uma área de transição ecológica, formada por florestas tropicais ao norte e Cerrado ao sul. (Veja no mapa ao lado e clique nele para ampliar).O PIX foi criado em 1961 e em 2011 comemora 50 anos de existência. É a maior Terra Indígena de Mato Grosso e abriga povos indígenas de dezesseis etnias: Kuikuro, Kalapalo, Matipu, Nahukuá, Mehinako, Waurá (Waujá), Aweti, Kamaiurá, Trumai, Yawalapiti, Kisêdjê (Suya), Kawaiwetê(Kaiabi), Ikpeng (Txicão), Yudja (Juruna), Naruvotu e Tapayuna, que falam 14 línguas.

A Terra Indígena Panará ocupa uma área de 500 mil hectares. O território fica parte no Pará e parte em Mato Grosso. Os Panará foram vítimas de um processo mal-sucedido de contato pelo Estado brasileiro, por ocasião da abertura da rodovia BR-163 na década de 1970. A construção da estrada resultou na quase extinção desse povo, por isso, em 1975 eles foram transferidos pela Funai para o Parque Indígena do Xingu. Depois de 20 anos exilados, os Panará reconquistaram o que ainda havia de preservado em seu antigo território e hoje vivem em duas aldeias. (Veja localização da TI no mapa acima e clique nele para ampliar)

Cabeceiras do Rio Xingu

As nascentes do Rio Xingu encontram-se no entorno do Parque Indígena do Xingu, no Estado de Mato Grosso, região que sofreu rápido processo de ocupação nos últimos 40 anos. (Veja no mapa ao lado a localização das cabeceiras e clique nele para ampliar) Os trabalhos do Programa Xingu nessa região visam promover processos de adequação socioambiental em propriedades e municípios da Bacia do Xingu, além de potencializar as iniciativas existentes que têm este mesmo fim. O objetivo é contribuir para a construção de um modelo de desenvolvimento territorial que alie a produção econômica com a conservação dos recursos naturais, valorizando a diversidade socioambiental local.

Diversas ações do Programa Xingu nesta região são realizadas através da Campanha Y Ikatu Xingu, uma coalização ativa de interesses para a proteção e recuperação das matas ciliares e nascentes da Bacia do Xingu no Mato Grosso. A campanha foi criada em 2004 com a participação de parceiros de diversos setores: povos indígenas, agropecuaristas, agricultores familiares, pesquisadores e organizações da sociedade civil que atuam na região. Suas ações desenvolvem-se no sentido de mobilizar e articular diferentes atores na esfera municipal, estadual, nacional e internacional para garantir a integridade dos recursos hídricos e alertar sobre os impactos ambientais do uso e da ocupação desse território.

As ações da campanha articulam-se em três eixos:

  • Restauração florestal
  • Educação agroflorestal
  • Planejamento, gestão e ordenamento territorial

Há ainda uma linha transversal, chamada Articulações e parcerias – é através dela que os animadores da campanha agregam novos parceiros e articulam processos de mobilização e captação de recursos que viabilizam os trabalhos. Y Ikatu Xingu significa “salve a água boa do Xingu” na língua Kamaiurá, um dos povos que habitam o Parque Indígena Xingu.

Terra do Meio

O Programa Xingu desenvolve uma série de ações para contribuir na consolidação do mosaico de unidades de conservação da Terra do Meio, área que completa a formação do corredor de sociobiodiversidade do Xingu, com extensão de 28 milhões de hectares, interligando o cerrado com floresta Amazônica. Com ênfase nas Reservas Extrativistas (Resex) do Xingu, Riozinho do Anfrisio e Iriri, o trabalho visa promover a sustentabilidade social, cultural e econômica das populações que ali residem, por meio da valorização dos serviços ambientais voltados a manutenção da diversidade biológica, produção de recursos hídricos e manutenção dos estoques de carbono de forma associada a suas práticas de manejo tradicional.(Veja no mapa a localização da área e clique nele para ampliar).

As principais ações são realizadas em parceria com diversas instituições governamentais, não governamentais, associações e comunidades e são voltadas para aumentar a capacidade de interlocução e o protagonismo político dos extrativistas com a sociedade; promover instalação de infraestrutura básica nas Reservas Extrativistas; ampliar a autonomia econômica das comunidades e a capacidade de gestão de suas organizações; promover condições para identificação e registro das práticas de manejo dos recursos naturais tradicionais, além de contribuir para o processo de regularização fundiária nas áreas protegidas.

Por meio do Programa Xingu o ISA participa do Movimento Xingu Vivo para Sempre (MXVPS), que acompanha de perto o processo de estudos e licenciamento do Complexo Hidrelétrico de Belo Monte em Altamira, no Estado do Pará, analisando a viabilida a forma como se dá esse a realização deste projeto e divulgando informações sobre o processo.

Contexto

Localizada no centro do Estado do Pará, a Terra do Meio abrange principalmente territórios dos municípios de Altamira e São Félix do Xingu. É uma das regiões mais importantes para conservação da sociobiodiversidade da Amazônia, mas também é palco de um dos maiores conflitos fundiários do Brasil. Seu destino pode servir para avaliar a real capacidade do poder público para desenvolver e proteger a floresta amazônica. Entre as ameaças que pesam sobre esta região está a grilagem de terras, a retirada ilegal de madeira e os garimpos.

A Terra do Meio abriga um mosaico de Unidades de Conservação (UCs) e Terras Indígenas (TIs) que ocupam uma área de 8,582 milhões de hectares. As unidades abrangem a região do interflúvio dos rios Iriri-Xingu que funciona como uma barreira geográfica para a dispersão de uma diversidade de espécies, contribuindo para diferentes processos biológicos e assegurando o fluxo da biodiversidade desta região.

Equipe do Programa

André Villas-Bôas – Indigenista – Coordenador

Marcelo Salazar - Engenheiro de Produção Química - Coordenador Adjunto

Paulo Junqueira – Psicólogo, Coordenador Adjunto

Rodrigo Junqueira – Agrônomo - Coordenador Adjunto

André Machado - Auxiliar de administração
Angela Oister - Tecnóloga em Gestão Ambiental - Auxiliar de Serviços Gerais
Angelise Nadal - Consultora técnica
Benedito Alzeni Bento - Piloto de embarcação - Núcleo Altamira Bruna Dayanna Ferreira - Ciências Biológicas - Auxiliar de Administração Christiane Peres - Jornalista - Editora
Cladineía Pesamosaca - Ciências Biológicas - Técnico de Projeto
Cleudemir Peixoto - Educadora - Assistente administrativa - Núcleo Canarana
Cleiton Marcelino dos Santos - Aux Tec Des Pesq Socioambiental
Cristiano Tierno - Tec. Des. Pesq. Socioambiental
Cristina Velasquez – Engenheira Florestal, Gestora do projeto Consórcio Governança Florestal nas cabeceiras do Xingu
Dannyel Sá Pereira da Silva - Biólogo - Tec. Des. Pesq. Socioambiental
Eduardo Malta Campos Filho – Biólogo – Consultor técnico
Eric Deblire - Administrador - Gestor financeiro
Erica Ieglli - Auxiliar de Serviços de Gerais - Base Canarana
Fabiola Andressa Moreira Silva - Estagiária Eng. Agronômica - Terra do Meio
Francinaldo Ferreira de Lima - Técnico em Desenvolvimento e Pesquisa Socioambiental
Heber Queiroz Alves - Biólogo - Auxiliar Técnico em Desenvolvimento e Pesquisa Socioambiental
José Nicola Martorano Neves da Costa - Biólogo - Auxiliar Técnico em Desenvolvimento e Pesquisa Socioambiental
Juan Doblas Pietro - Geofísico - Analista de Geoprocessamento
Junior Micolino da Veiga - Técnico em Gestão Ambiental - Aux Tec Des Pesq Socioambiental
Karla Patrícia Oliveira - Auxiliar de Administração
Kátia Ono - Ecóloga, assessora técnica do Projeto Desenvolvimento de Alternativas Econômicas Sustentáveis e Formação de Agentes Indígenas de Manejo de Recursos Naturais;
Marcelo Hercowitz - Economista - Consultor técnico
Marcío Luis Silva Souza - Técnico Florestal - Técnico de Projeto
Marisa Gesteira Fonseca - Bióloga- Analista em geoprocessamento

Natália Guerin - Bióloga - Técnica em Pesquisa e Desenvolvimento Socioambiental
Raquel Rodrigues dos Santos - Bióloga - Técnica de Projeto em Altamira
Renan Veroneze Garcia - Técnico em Gestão Ambiental - Auxiliar de serviços gerais
Renato Antunes Vianna Mendonça – Bacharel em Ciências Sociais - Assistente Técnico em Desenvolvimento Socioambiental
Rita de Cássia Rocha da Silva - Auxiliar Administrativo em Altamira
Sadi Eisenbach - Motorista
Tatiane Souza Dias de Oliveira - Comunicação Social - Assistente da coordenação
Vanderley da Costa e Silva - Viveirista

COLABORADORES E PESQUISADORES ASSOCIADOS

Amintas Nazareth Rossete (Geólogo, coordenador do Núcleo de Análise Ambiental do campus Nova Xavantina da Unemat); Arnoldo Luchtenberg; Ana Cíntia Valéria Vasconcelos (Consultora, UFSCar); Ana Paula Souza (FVPP); Antonia Melo (FVPP);Antonilson O. Rodrigues (Técnico em Meliponicultura); Boris César (Ibama/Direc);Bruna Franchetto (Linguista, Museu Nacional); Cristiano Tierno (Educador, UFSCar); Daniel M. P. de Castro (ICMBio); Daniel Penteado (ICMBio) David Rogers (Antropólogo, Museu Nacional); Douglas Rodrigues (médico, Unifesp); Gelsama Santos (Linguista, UFRJ);Geraldo Mosimann Silva (agrônomo, Universidade da Flórida); Hermanus Meijeirink(economista, Núcleo Maturi); Januária Mello (Educadora); Jerônimo Villas-Boas (Ecólogo); Lauro Rodrigues (Engenheiro Agrônomo); Lea Tomas (Antropóloga, UNB);Lino Viveiros (ICMBio); Lucas Nogueira (profissional de Comunicação); Marcela Coelho (antropóloga, UnB); Dr.Marco Antônio Delfim; Maria Cristina Troncarelli (Educadora);Maurício Torres (pesquisador, USP/Depto Geografia Humana da FFLCH); Natália Macedo Ivanauskas (Eng. Agrônoma/IF/SP); Pablo Quirino Ribeiro de Amorim(Economista); Padre Androni (Prelazia do Xingu);Patrícia Greco Campos (ICMBio); Rafael Nonato (Linguista, MIT/EUA); Regina Erismann (Ecosocial); Régis Bueno (Eng. Agrimensor); Roberto Scarpari (Ibama); Rocio Chacchi Ruiz (biologa); Dr. Rodrigo Timóteo da Costa e Silva (MPF); Simone Athayde (bióloga, Universidade da Flórida); Sofia Mendonça (Médica, Unifesp); Stephan Schwartzman (Antropólogo, ED); Suzi Lima (linguista, Universidade de Massachussets); Walber Feijó (ICMBio).

Parcerias e fontes de financiamento

  • Associação Iakiô do Povo Panará: parceira local;
  • Associação Indígena Kisêdjê (AIK): parceira local;
  • Associação Moygu Comunidade Ikpeng: parceira local;
  • Associação Terra Indígena do Xingu (Atix) : parceira local;
  • Associação Yarikayu do povo Yudjá: parceira local;
  • Casa - Centro de Apoio Socioambiental: apoio financeiro;
  • Comissão Pastoral da Terra (CPT) de São Félix do Xingu: parceira na implementação de atividades;
  • Comissão Européia (CE): apoio financeiro;
  • Distrito Sanitário Especial Indígena do Xingu (DSEI XG): parceira local;
  • Defesa do Meio Ambiente (ED)/Fundação Gordon & Betty Moore: apoio financeiro;
  • Empresa Matogrossense de Pesquisa, Assistência e Extensão (Empaer): parceira local;
  • Escola Agrícola de Querência: parceira local;
  • Fazendas Dois Americanos e Estrela d‘Alva do Município de Querência: parceira local;
  • Fundação Blue Moon:apoio financeiro;
  • Fundação Doen: apoio financeiro;
  • Fundação Packard: apoio financeiro;
  • Fundação Viver, Produzir e Preservar (FVPP): parceiro no Consórcio Estradas Verdes;
  • Grendene: apoio financeiro;
  • Grupo de Trabalho da Amazônia (GTA): parceiro no Consórcio Estradas Verdes;
  • Icatu Hartford(IF/SP):apoio financeiro;
  • Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama); Diretoria de ecossistemas (Direc) Brasília e Regionais Altamira e Santarém;
  • Instituto de Estudos e Pesquisas Florestais/Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – USP(IEPF/Esalq–USP): cooperação técnica;
  • Instituto Florestal de São Paulo (IF/SP):cooperação técnica;
  • Instituto HSBC Solidariedade;
  • Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra): apoio financeiro;
  • Projeto Plantar – Assessoria e Planejamento/Programa Assistência Técnica e Ambiental: cooperação técnica;
  • Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam): parceiro no Consórcio Estradas Verdes;
  • Ministério do Desenvolvimento Agrário/SAF: apoio financeiro;
  • Ministério da Educação/Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação/Coordenação Geral de Apoio às Escolas Indígenas (MEC/FNDE/CGAEI): apoio financeiro;
  • Ministério da Cultura, Fundo Nacional de Cultura (Minc /FNC): apoio financeiro;
  • Ministério do Meio Ambiente/ Fundo Nacional do Meio Ambiente (MMA/FNMA): apoio financeiro;
  • Ministério do Meio Ambiente/Secretaria de Políticas para o Desenvolvimento Sustentável – Programa de Apoio ao Agroextrativismo: apoio financeiro;
  • Norad - Agência Norueguesa de Cooperação Internacional;
  • Projeto Alternativas ao Desmatamento e Queimada (MMA/ PDA/ Padeq): apoio financeiro;
  • Município de Querência/ Secretaria de Agricultura de Querência: parceira local;
  • Organização Não-governamental Roncador - Araguaia (Ongara): parceira local;
  • Prefeitura de Canarana/Secretaria de Meio Ambiente: parceira local;
  • Projeto Vídeo nas Aldeias: cooperação técnica;
  • Fundação Rainforest da Noruega (RFN): apoio financeiro;
  • Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Água Boa: parceira local;
  • Terra dos Homens (TDH) – Holanda: apoio financeiro;
  • Conservação da Natureza (TNC): apoio financeiro;
  • Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat): cooperação técnica;
  • Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)/Deptº de Medicina Preventiva: cooperação técnica;
  • Agência Norte-Americana de Desenvolvimento Internacional (Usaid): apoio financeiro.