Desmatamento e degradação ambiental ameaçam Território Indígena do Xingu
Wednesday, 23 de November de 2016A última reunião promovida pelo Grupo de Trabalho (GT) de Proteção Territorial do Território Indígena do Xingu (TIX), entre 9 e 11 de novembro, teve como temas principais o desmatamento no entorno do TIX, o uso abusivo de agrotóxicos, a situação das obras de infraestrutura previstas pelo governo federal, a extração ilegal de madeira, a entrada ilegal de pescadores e os conflitos fundiários envolvendo a recente homologação da Terra indígena Pequizal do Naruvotu, do povo Kalapalo.
Foi a segunda reunião do GT, composto por 25 integrantes entre representantes da Associação Terra Indígena Xingu (Atix) e outras associações indígenas do TIX, Funai e ISA. A ideia do GT, vinculado à estrutura de governança do TIX, é avaliar, planejar e coordenar ações de proteção do território, que sofre com as pressões e ameaças do entorno.
Ao final do encontro, os participantes do GT colocaram em prática um dos encaminhamentos amplamente discutidos ao longo dos dois encontros: a restauração ambiental de áreas degradadas pelo agronegócio. Todos foram, então, para a aldeia Tangurinho, do povo Kalapalo, área que tangencia o TIX e viram de perto as consequências dessa degradação para a comunidade. Veja abaixo o mapa com as áreas de plantio na aldeia Tangurinho.
A teoria na prática
No início do ano, o GT decidiu promover uma conversa entre lideranças Kalapalo, o proprietário da fazenda vizinha, o Instituto de Defesa Agropecuária do Estado Mato Grosso (Indea), do município de Querência, a Coordenação Regional da Funai e técnicos do ISA. Daí resultou uma proposta de substituir a soja pelo pasto, diminuindo assim a carga de agrotóxicos despejadas no local, reflorestar uma Área de Preservação Permanente (APPs) no Rio Tanguro e uma faixa de terra que se estende entre a fazenda e o limite do TIX. Além disso, os Kalapalo solicitaram que fosse feito um estudo para monitorar a presença de agrotóxicos nas águas do rio e da chuva, e também no ar.
A atividade de recuperação florestal se inseriu no projeto Amazonia Live, iniciativa do Rock in Rio em parceria com o ISA e o Funbio. Assim, foram adquiridas sementes florestais coletadas pela Rede de Sementes do Xingu e foram aplicadas técnicas de plantio direto, com muvuca, e também com mudas.
A muvuca foi preparada na aldeia Tangurinho, com a participação da comunidade e do proprietário da fazenda, e posteriormente aplicada no solo com técnicas mecanizadas e manuais. Além disso, foram plantadas 220 mudas de espécies da região, entre elas, madeireiras e frutíferas. Ainda neste local, as comunidades locais se organizaram para coletar sementes em outras aldeias do povo Kalapalo para enriquecer o plantio com espécies de interesse das comunidades.
Os estudos para monitoramento de agrotóxicos nesta área, enfatizada pelos índios, estão sendo feitos em parceria envolvendo a Faculdade de Medicina da Universidade Federal Paulista (Unifesp), a Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) e o ISA, por meio da coleta de água da chuva, do rio e do ar. Com a solicitação dos Kalapalo amplia-se a área de estudo que já havia sido solicitada para a região da TI Wawi, pelo povo Kĩsêdjê, e para a região da aldeia Ipatse, dos Kuikuro, no interior do TIX.
O Grupo de Trabalho de Proteção Territorial do TIX volta a se reunir no início de 2017 para avaliar as ações já executadas e discutir o planejamento para as ações para o novo ano.