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Guarani realizam ato contra reintegração de posse em São Paulo

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Cerca de cem indígenas Guarani Mbya que vivem na Terra Indígena do Jaraguá (norte da capital paulista)se reuniram na aldeia Tekoa Itakupe (Sol Nascente) em protesto contra o processo de reintegração de posse na manhã dessa sexta-feira, 29, data limite determinada pela Justiça para que a Funai realizasse a desapropriação da área.

A regularização fundiária da TI Jaraguá estende-se por mais de dez anos. Parte da área foi demarcada ainda nos anos 1980, antes da promulgação da Constituição Federal de 1988. No entanto, a área delimitada no documento, 1,7 hectares – a menor do Brasil -, é insuficiente para as mais de 500 pessoas que moram ali. Em 2013, graças à pressão das lutas indígenas pela revisão do território, a Funai aprovou os resultados dos estudos técnicos que reconhecem 532 hectares como limites da TI, incluindo a aldeia Tekoa Itakupe.

Cabe ao ministro da Justiça assinar a portaria declaratória que a garante a posse indígena sobre a área.“Nós não estamos aqui pela Funai, estamos em uma área que é nossa reivindicando o nosso direito. Pedimos agilidade do José Eduardo Cardozo [ministro da Justiça] para que ele assine a portaria declaratória”, afirmou David Martin, liderança guarani. Além da espera pela assinatura de Cardozo, os Guarani no Jaraguá enfrentam também inúmeros processos de reintegração de posse nas áreas em que vivem ou que estão retomando.

A aldeia Tekoa Itakupe, por exemplo, já havia sido retomada pelos Guarani anteriormente, mas foi alvo de uma ação de reintegração de posse em 2005. “A gente não invade terra, a gente retoma as terras que foram tiradas dos índios. Eles [os brancos] podem falar que são os donos das terras há cem anos, mas a gente já tava aqui antes deles”, explica Thiago Henrique, jovem guarani.

A nova retomada de Itakupe, em julho de 2014, ocorreu como forma de protesto dos guarani contra uma outra ação de reintegração de posse, da aldeia Tekoa Pyau, onde uma população de mais de 500 pessoas vive em condições precárias, à beira da Rodovia Bandeirantes. (saiba mais). (Veja o mapa abaixo).

No início, 13 famílias se instalaram na área da Tekoa Itakupe retomada, mas com a pressão de pessoas que entram na aldeia (segundo relatos dos moradores indígenas, a mando do ex-prefeito de São Bernardo e ex-deputado federal Tito Costa, que reivindica a posse da terra), hoje só ficaram os homens para cuidar do local.

“Tiraram fotos das picadas pras mostrar que se a gente não sair, eles já iam saber as trilhas daqui pra assustar a gente. Voltaram e fizeram um incêndio. Quando fomos denunciar na polícia eles disseram que foi por conta do mato seco, que não tinha como culpar ninguém. Só que isso aconteceu numa área verde, então como é que uma área de mato verde vai pegar fogo do nada? Eles ficam vigiando a gente, a gente vê mas não pode fazer nada, e se eles tiverem uma arma?”, descreveu Thiago.

A iminência da nova reintegração de posse assusta a comunidade indígena, que busca divulgar a luta para que seus direitos sejam assegurados. “Viver na aldeia é onde a gente vive a nossa cultura indígena, onde passamos o nosso conhecimento pras nossas crianças. Temos que lutar pela demarcação, para que as autoridades apressem esse processo. Tem pessoas que dizem serem donos da nossa terra e querem tomá-la, isso não pode acontecer”, denunciou Ari Karai, cacique da aldeia Tekoa Itakupe (Sol Nascente). David Martim reitera a gravidade da situação:“Nós não sabemos como vamos viver daqui pra frente”

Saiba mais sobre os Guarani Mbya

Isabel Harari
ISA
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